Perícia Médica do INSS: O Que É, Como Funciona e Como Se Preparar Para Não Errar
- 22 de junho de 2026
Como passar na perícia do INSS: documentos, perguntas, o que dizer e o que evitar, Atestmed, perícia domiciliar e como recorrer se for negada.
- Por Guilherme Perlin .
- Em AuxÍlio e benefício do INSS, Previdência, Texto
O Que é a Perícia Médica do INSS?
A perícia médica do INSS é uma avaliação realizada por um médico perito do INSS para verificar se o segurado possui alguma doença, lesão ou condição de saúde que o impede de trabalhar, ou que reduza de forma permanente sua capacidade laborativa. Com base nessa avaliação, o INSS decide se concede ou não o benefício solicitado.
Ela está prevista na Lei nº 8.213/1991 (Lei de Benefícios da Previdência Social), na Lei nº 13.846/2019 e na Instrução Normativa INSS nº 128/2022, que estabelece o passo a passo de todo o procedimento.
A perícia não é um obstáculo criado para dificultar o acesso ao benefício. Ela é um instrumento técnico de avaliação. Mas para que funcione a favor do segurado, é fundamental que a pessoa chegue preparada, com documentação adequada e saiba comunicar ao perito com clareza como a sua condição afeta sua vida e seu trabalho.
Quem Faz a Perícia do INSS?
A avaliação é realizada por um médico perito do INSS, que é um profissional de medicina concursado, pertencente ao quadro técnico do Instituto Nacional do Seguro Social. Ele não é o médico particular do segurado e não tem vínculo com ele. Sua função é técnica: avaliar, com base nos documentos apresentados e no exame clínico, se os requisitos para a concessão do benefício estão presentes.
Em alguns casos, especialmente para benefícios que envolvem deficiência como o BPC/LOAS, a perícia pode envolver também um assistente social, que realiza uma avaliação complementar das condições socioeconômicas e do impacto da deficiência na participação social e familiar do requerente.
Em Quais Casos a Perícia é Obrigatória?
A perícia médica é exigida para os principais benefícios por incapacidade ou deficiência do INSS. Os casos mais comuns são:
Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença): quando o segurado fica temporariamente impossibilitado de trabalhar por doença ou acidente. Aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez): quando a incapacidade é total e irreversível. Auxílio-acidente: quando o segurado ficou com sequelas permanentes após acidente que reduziram sua capacidade de trabalho. BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada): para pessoas com deficiência e para idosos em situação de vulnerabilidade, quando o INSS exige a avaliação médica e social. Benefícios relacionados a acidente de trabalho: quando o segurado alega que a doença ou lesão foi causada pelo trabalho.
A Perícia Pode Ser Feita Online Ou em Casa?
Sim, em determinadas situações. Existem duas modalidades alternativas à perícia presencial.
A primeira é o Atestmed, que é a modalidade de análise de documentos médicos sem perícia presencial. Pelo Atestmed, o segurado envia os documentos médicos pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site gov.br, e o perito do INSS faz a análise documental sem necessidade de o segurado comparecer pessoalmente. O Atestmed está disponível para casos de afastamentos de curta duração e não se aplica a todos os benefícios. Se os documentos apresentados forem suficientes, o benefício pode ser concedido sem a necessidade de ir à agência. Se os documentos não forem suficientes, o INSS convoca o segurado para a perícia presencial.
A segunda modalidade é a perícia domiciliar, que ocorre quando o segurado está impossibilitado de se deslocar até a agência do INSS em razão de sua condição de saúde. Nesse caso, o médico perito vai até a residência do segurado para realizar a avaliação. Para solicitar a perícia domiciliar, é necessário apresentar declaração médica que ateste a impossibilidade de locomoção.
Quais Documentos Levar Para a Perícia?
A documentação é o alicerce da perícia. Sem documentos adequados, até uma condição grave pode ser negada pelo perito. Os documentos necessários se dividem em dois grupos.
Documentos pessoais: CPF, documento de identidade com foto (RG, CNH ou passaporte), Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) atualizada e comprovante de residência.
Documentos médicos: é aqui que está a parte mais crítica. O segurado deve levar laudos médicos recentes com data de emissão o mais próxima possível da perícia, assinados com o número do CRM do médico. Esses laudos precisam descrever o diagnóstico com o código CID (Classificação Internacional de Doenças), a evolução da doença, o tratamento em curso e, especialmente, como a condição afeta a capacidade de trabalho. Devem ser apresentados também exames complementares que comprovem o diagnóstico, como ressonâncias magnéticas, tomografias, hemogramas, eletrocardiogramas, raios-X ou qualquer exame específico para a condição. Relatórios de especialistas como ortopedistas, neurologistas, psiquiatras, cardiologistas e outros também têm grande peso. Receitas de medicamentos em uso contínuo demonstram que o tratamento está ativo e que a condição persiste. Em caso de acidente de trabalho, a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser apresentada.
Uma dica prática: organize os documentos em ordem cronológica, do mais antigo ao mais recente, para facilitar a visualização da evolução da condição pelo perito.
Como Funciona a Perícia Presencial?
No dia marcado, o segurado comparece à agência do INSS no horário agendado. A perícia em si é geralmente rápida, podendo durar entre 15 e 30 minutos, embora esse tempo possa variar conforme a complexidade do caso.
O perito começa com perguntas sobre a condição de saúde, o histórico da doença, os tratamentos realizados, os medicamentos em uso e como a condição afeta as atividades do dia a dia. Em seguida, realiza um exame clínico, que pode incluir avaliação de mobilidade, força, reflexos, postura, coordenação ou outros aspectos dependendo da condição apresentada.
O perito analisa os documentos entregues e, ao final, faz o preenchimento de um formulário técnico no sistema do INSS com suas conclusões. O resultado da perícia fica disponível no sistema do INSS e pode ser consultado pelo aplicativo Meu INSS, geralmente em alguns dias.
Quais São as Principais Perguntas do Perito?
O perito do INSS segue um roteiro técnico, mas em linguagem informal as perguntas mais comuns são:
Qual é o seu problema de saúde? Essa costuma ser a primeira e mais importante pergunta. A resposta deve ser clara, direta e coerente com o que está nos laudos.
Há quanto tempo você tem esse problema? O perito quer entender a evolução e a cronicidade da condição.
Você faz tratamento? Está tomando algum remédio? Isso demonstra que a condição é real e está sendo acompanhada por profissional de saúde.
Você consegue realizar as tarefas do seu trabalho? Essa é uma das perguntas mais importantes. O perito avalia não apenas a doença, mas o impacto dela na atividade profissional específica do segurado.
Você consegue fazer as atividades do dia a dia, como cozinhar, tomar banho, andar, dirigir? Serve para avaliar o grau de limitação funcional no cotidiano.
Você está dormindo? Tem dor? Como é a dor? O perito quer quantificar e qualificar o impacto dos sintomas.
Como Se Comportar na Perícia: O Que Dizer e O Que Não Dizer
Esse é um dos aspectos mais importantes e que mais influencia o resultado da perícia.
O que fazer:
Descreva sua condição de forma honesta, clara e objetiva. Fale sobre os sintomas reais, as dores reais, as dificuldades reais que você enfrenta no trabalho e no dia a dia. Seja específico: não basta dizer “tenho dor nas costas”. Diga que a dor impede que você fique sentado por mais de 20 minutos, ou que não consegue levantar peso acima de 2 quilos, ou que precisa deitar várias vezes ao dia para aliviar o desconforto.
Apareça como você realmente está no dia a dia. Se você usa bengala, use. Se precisa de cadeira de rodas, vá de cadeira de rodas. Se você usa tipoia ou colar cervical, use. A perícia avalia o seu estado real.
Leve todos os documentos organizados e entregue ao perito no início da consulta.
Mantenha a coerência entre o que você diz e o que está nos laudos. Contradições chamam a atenção do perito e podem prejudicar a avaliação.
O que evitar:
Não minimize sua condição. Frases como “dá para aguentar”, “não é tão grave assim” ou “já estou melhorando bastante” passam a impressão de que a incapacidade não existe ou não é significativa. Se a condição fosse tolerável, não haveria necessidade do benefício.
Não exagere além do que os documentos comprovam. A perícia é técnica, e qualquer contradição entre o relato e os laudos prejudica a credibilidade.
Não chegue com uma aparência física incompatível com o que você relata. Se você diz que não consegue andar, chegar correndo ao consultório cria uma inconsistência imediata.
Não tente enganar o perito. Os peritos do INSS são profissionais experientes e treinados para identificar inconsistências. Tentar simular uma condição que não existe além do que é real pode ter consequências graves.
Pode Ir Acompanhado na Perícia do INSS?
Sim. O segurado tem o direito de se fazer acompanhar por uma pessoa de confiança durante a perícia médica. Isso é especialmente importante para pessoas que têm dificuldades de comunicação, condições psiquiátricas que dificultam a expressão, ou que precisam de auxílio para se locomover.
O acompanhante não participa da avaliação, mas pode estar presente na sala durante a consulta para dar suporte ao segurado.
O segurado também tem o direito de ser assistido por um advogado durante a perícia. O advogado pode acompanhar e, se necessário, fazer observações formais após o ato.
Seus Direitos na Perícia do INSS
Conhecer seus direitos durante a perícia pode fazer diferença:
Você tem direito a ser atendido no horário agendado, sem espera excessiva e sem julgamentos.
Você tem direito a um atendimento respeitoso e digno, sem humilhação, ironia ou descaso por parte do perito.
Você tem direito de entregar toda a documentação médica que considerar relevante, e o perito é obrigado a analisar os documentos apresentados.
Você tem direito a solicitar cópia da conclusão pericial após o atendimento.
Você tem direito a recorrer administrativamente se discordar do resultado da perícia.
Você tem direito a pedir uma segunda perícia (reconsideração) ou recorrer à Junta de Recursos do INSS.
Você tem direito a acompanhante durante a avaliação.
Se o resultado for negado e você acreditar que houve erro ou injustiça, você tem direito de buscar a via judicial.
O Que Acontece Se a Perícia For Negada?
A negativa da perícia do INSS não é o fim do caminho. Existem caminhos para reverter a decisão.
A primeira alternativa é o recurso administrativo junto ao próprio INSS. O segurado pode solicitar a reconsideração da decisão pericial, apresentando novos documentos médicos ou argumentos. Esse pedido pode ser feito diretamente pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente. O prazo para recurso varia conforme o benefício, mas em geral é de 30 dias a partir da ciência da decisão.
A segunda alternativa é levar o caso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que é um órgão colegiado independente que reavalia as decisões do INSS em grau de recurso administrativo.
A terceira e mais eficaz em muitos casos é a ação judicial, especialmente pelos Juizados Especiais Federais (JEFs), que são mais rápidos e não cobram custas processuais para quem pede o benefício. Na via judicial, o juiz pode determinar a realização de uma nova perícia médica, desta vez por um perito judicial independente, que não tem vínculo com o INSS. Em muitos casos, a perícia judicial reverte a negativa administrativa.
Para a via judicial, a atuação de um advogado especialista em direito previdenciário é altamente recomendada. O advogado pode orientar sobre a documentação, apresentar argumentos técnicos e acompanhar todo o processo.
O Que é o Atestmed e Como Funciona?
O Atestmed é uma modalidade criada pelo INSS para análise de documentos médicos sem a necessidade de perícia presencial. Pelo sistema, o segurado envia eletronicamente os atestados e laudos médicos pelo aplicativo Meu INSS, e o perito analisa remotamente se a documentação é suficiente para conceder o benefício.
O Atestmed está disponível para afastamentos iniciais de até 180 dias e para benefícios de menor complexidade. Ele não se aplica a todos os casos: se os documentos enviados forem insuficientes ou se o caso for mais complexo, o segurado é convocado para a perícia presencial.
Para usar o Atestmed, o segurado precisa de atestado médico atualizado com CID, duração prevista do afastamento e assinatura com número do CRM do médico. Quanto mais detalhado e completo for o atestado, maior a chance de aprovação pela análise documental.
Resumo:
| Ponto | Resposta |
|---|---|
| Quem faz a perícia? | Médico perito concursado do INSS |
| Quando é obrigatória? | Auxílio-doença, aposentadoria por incapacidade, auxílio-acidente, BPC |
| Pode ser feita em casa? | Sim, por perícia domiciliar, se houver impossibilidade de locomoção |
| Pode ser feita online? | Sim, pelo Atestmed, para casos de menor complexidade |
| Pode ir acompanhado? | Sim, por familiar, acompanhante ou advogado |
| Quanto tempo dura? | Geralmente de 15 a 30 minutos |
| O que o perito avalia? | Doença, impacto funcional no trabalho e no cotidiano |
| Pode ser negada? | Sim, e é possível recorrer administrativamente ou judicialmente |
| Primeira pergunta do perito? | Geralmente: “Qual o seu problema de saúde?” |
| Maior erro na perícia? | Minimizar a condição com frases como “dá para aguentar” |
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